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ABC busca protagonismo na Nova Indústria Brasil e apresenta propostas ao governo federal

O Grande ABC paulista articula seu retorno ao centro da política industrial brasileira. Com um legado fabril robusto e novas vocações tecnológicas, a região formalizou ao governo federal um conjunto de propostas para integrar as missões estratégicas da Nova Indústria Brasil (NIB) — política conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O […]

O Grande ABC paulista articula seu retorno ao centro da política industrial brasileira. Com um legado fabril robusto e novas vocações tecnológicas, a região formalizou ao governo federal um conjunto de propostas para integrar as missões estratégicas da Nova Indústria Brasil (NIB) — política conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O objetivo: reconectar o polo industrial a uma nova etapa de crescimento baseada em inovação, sustentabilidade e reindustrialização de alto valor agregado.

O movimento foi consolidado em um encontro na sede da Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC, em Santo André, com a presença do secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, Uallace Moreira Lima. Prefeituras, universidades, sindicatos, empresários e lideranças regionais apresentaram pautas conjuntas para reposicionar o ABC como território-chave no plano de reindustrialização nacional.

Com mais de 195 mil empregos na indústria de transformação e um PIB industrial estimado em R$ 40 bilhões, a região busca agora vincular sua força produtiva às seis grandes missões da NIB. A estratégia regional foca na capacitação profissional, estímulo a startups industriais, atração de investimentos e adaptação tecnológica, mirando cadeias de valor emergentes como hidrogênio verde, veículos elétricos, semicondutores, máquinas agrícolas e produtos digitais avançados.

ABC quer protagonismo nas cadeias do futuro

A proposta entregue ao MDIC lista setores nos quais o ABC já tem base instalada ou potencial de rápido avanço. Entre eles estão drones e sensores aplicados à agricultura de precisão, baterias, sistemas metroferroviários, sistemas de propulsão, robótica industrial, dispositivos médicos e plataformas digitais. Também ganham espaço o audiovisual, semicondutores, química verde, diesel renovável e equipamentos aeroespaciais como radares e satélites.

A pauta ainda propõe ações estruturantes como a realização de oficinas de fomento, programas de qualificação técnica e o fortalecimento de fornecedores locais. As sugestões buscam articular diferentes níveis de governo e instituições em torno de uma mesma lógica industrial.

Setores produtivos reforçam demandas ao governo

Durante o encontro, representantes de setores estratégicos apresentaram demandas específicas. O setor de borracha pediu o aumento da alíquota de importação de pneus como medida de proteção tarifária. Já o setor químico defendeu o reconhecimento federal do Polo Petroquímico do ABC, com a institucionalização de seu Comitê de Governança. O segmento de autopeças também manifestou preocupação com importações predatórias, sugerindo medidas para resguardar a competitividade da cadeia nacional.

O CIESP Diadema, por sua vez, levou uma pauta abrangente, com foco na redução da carga tributária, estímulos à inovação e proteção contra práticas de dumping. O conjunto das propostas foi entregue formalmente ao MDIC, consolidando o posicionamento da região como ator ativo na execução da Nova Indústria Brasil.

NIB e pacto regional pelo futuro industrial

A iniciativa contou com o apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC, que coordena o Fórum da Indústria na região. O presidente da entidade, Aroaldo Oliveira da Silva, propôs a retomada de um pacto regional pelo desenvolvimento industrial. A ideia é resgatar contribuições acumuladas nos últimos anos e alinhá-las às diretrizes da nova política federal.

“A Nova Indústria Brasil precisa de diálogo e ancoragem territorial. A região tem conhecimento, base produtiva e inovação. Agora é hora de integrar esforços e assumir um papel propositivo”, afirmou.

O secretário Uallace Moreira reforçou que a política industrial será avaliada por sua capacidade de gerar empregos, reduzir desigualdades e promover bem-estar. “A NIB só faz sentido se for para proteger vidas e garantir trabalho digno. Essa é a lógica que nos move. E para isso, o diálogo com regiões como o ABC é fundamental”, declarou.

O prefeito de Rio Grande da Serra e representante do Consórcio Intermunicipal do ABC, Akira Auriani, destacou a vocação inovadora da região: “Temos startups, centros de pesquisa e projetos de sustentabilidade. A indústria do futuro já está sendo desenhada aqui.”

A reunião contou ainda com a presença de lideranças como o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges; o presidente do CIESP Santo André, Norberto Perrella; e o deputado estadual Rômulo Fernandes.

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